Após 20 anos atuando no mercado imobiliário da Flórida, sou grata por ter conquistado não somente clientes, mas também amigos muito queridos. Neste período difícil que enfrentamos juntos, sinto a obrigação de compartilhar com você os meus pensamentos e perspectivas sobre os desdobramentos da crise, projeções econômicas e recomendações sobre investimentos no Brasil e nos EUA.

Nossa equipe contactou analistas financeiros e economistas parceiros para construir uma análise econômica e recomendações práticas com o objetivo de ajudar. Neste artigo forneceremos informações relevantes para que você possa tomar as melhores decisões sobre investimentos em tempos de crise.

Continue lendo para ver recomendações nos mercados de ações, câmbio, renda fixa e setor imobiliário.

Lembrem-se: Esta crise é passageira! O importante é manter a calma, seguir as orientações dos órgãos de saúde e ajudar o próximo no que for possível.

Para onde vai a economia

No início da semana os mercados globais reagiram bem aos indicadores chineses. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas da China mostram que a economia chinesa esboça uma reação e começa a se recuperar da crise provocada pela pandemia do coronavírus. A atividade industrial do país avançou no mês de março, com o índice de atividade dos gestores de compras, conhecido como PMI, atingindo 52 pontos, ante 37,5 pontos em fevereiro.

Os dados corroboram com o que muitos analistas defendem, de que a crise tem um ciclo de aproximadamente 3 – 4 meses. Após este período, o ciclo infeccioso chegaria ao fim e a economia tende a se recuperar.

No entanto, ainda é cedo  para afirmar que a China inicia um movimento de retomada consistente, uma vez que a crise pandêmica ainda não atingiu o pico no resto do mundo, e a economia Chinesa depende muito da demanda global por seus produtos. Analistas consideram razoável a probabilidade de ocorrer uma “segunda onda” da crise na China, em decorrência da crise pandêmica global.

De olho nos Estados Unidos

Esta segunda onda pode ser agravada pelos desdobramento da pandemia nos Estados Unidos, que já contabilizam mais de 200 mil casos de infecção. Os números assustaram o Presidente Donald Trump, que mudou rapidamente de ideia em relação ao fim do isolamento, prorrogando a quarentena por mais 30 dias no país. Na segunda-feira (30), Trump disse que a economia é sua “segunda prioridade” e o importante agora é “salvar vidas”.

Ontem, quarta feira (1º), O Ibovespa fechou pregão com 2,81%, a 70.966, encerrando o mês de março com o pior desempenho mensal em mais de 20 anos. A queda é reflexo das incertezas do mercado em relação ao impacto da crise do coronavírus na economia americana.

De olho nos Estados Unidos e a crise do coronavírus - COVID19

Brasil injeta R$ 750 bilhões na economia e espera retomada no último trimestre

Já no Brasil, o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, em entrevista à CNN, disse esperar a retomada da economia brasileira ainda este ano.

 “(…) Entendemos que o último trimestre já será de recuperação, estará começando a melhorar, e no ano que vem teremos boa recuperação”, disse.

Em evento online (live) realizado na noite deste sábado (28) pela XP Investimentos, o Ministro da Economia Paulo Guedes tranquilizou os mercados prometendo injetar na economia brasileira uma liquidez de aproximadamente R$ 750 bilhões entre impostos diferidos, abonos, medidas de incentivo e crédito. O montante será disponibilizado em aproximadamente três meses, período em que, espera-se, a crise esteja na fase final do ciclo.

O montante é expressivo, especialmente se o compararmos ao total do valor a ser economizado pela reforma da previdência em 10 anos: cerca de R$ 800 bilhões.

“Não é um número trivial (…) é um número enorme (…), é um impacto extraordinário”, destaca Paulo Guedes, fazendo a comparação com a reforma da previdência.

O número agradou analistas e empresários, que aguardavam uma atitude mais contundente do governo para estimular a economia nos próximos meses.

Paulo Guedes também valorizou os esforços do Ministério da Saúde e as ações que estão sendo implementadas para preparar o sistema de saúde brasileiro para enfrentar a crise. Medidas como eliminar o imposto de importação de máscaras e aparelhos respiratórios, importação de testes, entre outras, foram anunciadas.

A live do Ministro com os analistas da XP Investimentos pode ser acessada neste link: https://www.youtube.com/watch?v=voghPHGSPms

Quando a crise terminará?

Essa é a “pergunta de 1 milhão de dólares”. Não é possível responder. Sabe-se que em alguns países o ciclo da infecção durou aproximadamente 3 meses. Espera-se que o mesmo ocorra com a Itália, principal afetada até o momento. Acredita-se que o país tenha atingido o pico da curva de infectados e entrará agora na fase final do ciclo. A OMS (Organizaçao Mundial da Saúde) disse entender que o surto de Covid-19 deve atingir o pico em breve na Europa como um todo. Contudo, são projeções sobre algo que ainda temos pouca informação.

O gráfico abaixo mostra o movimento das bolsas globais nas diferentes crises de pandemia. A linha azul representa a variação do Índice Morgan Stanley Capital International (MSCI). Na maioria dos surtos os mercados refletem o impacto negativo da retração econômica nos primeiros meses, porém se recuperam rapidamente após o impacto inicial.

É importante compreender que esta crise do coronavírus ataca duas dimensões da sociedade: 1 – O sistema de saúde e 2 – A economia. Uma vez controlada a contaminação e logística nos hospitais, haverá ainda um período após o ciclo do vírus onde os meios de produção demorarão um pouco para voltar à normalidade. Estima-se um ou dois meses adicionais.

Essa crise é comparável à crise de 2008?

Tudo indica que não!

São dois os fatores principais que diferenciam esta crise daquela de 2008:

  1. É uma crise pandêmica
  2. Não se trata de crise nos fundamentos da economia

O coronavírus é uma crise pandêmica e não é a primeira da história. O mundo já passou por várias crises parecidas: HIV, SARS, Gripe Suina, Cólera, Ebola, Zika, etc.

É verdade, no entanto, que a crise do coronavírus traz algumas características diferentes. Nas crises pandêmicas anteriores não houve lockdown ou quarentena semelhante em nível mundial,  tampouco causaram colapso nos sistemas de saúde da forma como testemunhamos em países de primeiro mundo, como a Itália, por exemplo.

Contudo, apesar de preocupante e inédita, cedo ou tarde passará. A história mostra que os surtos seguem um ciclo e a economia volta à normalidade após alguns meses. No longo prazo, não deixam sequelas econômicas estruturais.

Essa é a outra grande diferença desta crise para a de 2008. Não estamos passando por uma crise estrutural onde os fundamentos da economia estão em cheque. Pelo contrário, o Brasil experimentava um leve crescimento econômico, com projeção de crescimento do PIB pré-coronavirus entre 2% e 2,5% para 2020. Em 2008 a crise era estrutural e decorrente de créditos podres que inundaram a economia durante anos, promovendo um colapso no sistema financeiro mundial.

O mudo pós crise

É consenso entre os analistas que entrevistamos que a economia está sofrendo uma “pausa” decorrente do isolamento das pessoas e restrições à circulação de mercadorias. Isso acaba por criar uma demanda reprimida, onde o dinheiro fica represado para ser usado depois.

As pessoas, ao permanecerem confinadas, deixam de comprar agora para consumir após o isolamento. Espera-se que esta demanda virá com força na medida que nos aproximarmos do fim do ciclo infeccioso e as pessoas começarem a circular novamente, estimulando os meios de produção.

Projeta-se que já no segundo semestre a economia global inicie um movimento agressivo de retomada, justamente por conta de demanda represada criada pelo período de isolamento.

Essa perspectiva é sustentada também pela análise histórica das pandemias anteriores. Nos primeiros meses há uma retração do mercado e, posteriormente, a economia volta a normalidade e, em alguns casos, com mais força.

No caso do Brasil os analistas entendem que os juros cada vez mais baixos  e o dólar alto serão dois fatores de grande estímulo para a retomada da economia.

É o momento de investir? Onde?

Se por um lado crises trazem perdas, de outro criam oportunidades. Para quem aguardava por “correções” de preços nos mercados, agora pode ser um bom momento para investir.

Caso a crise do coronavírus siga o mesmo comportamento histórico das demais crises pandêmicas, a tendência é que em alguns meses os mercados voltem ao normal. Quem comprar agora pode beneficiar-se de uma grande valorização em um curto espaço de tempo.

É possível que em alguns anos comentaremos: “Aquele era o momento ideal para comprar”.

Partindo desta premissa, apresentaremos a seguir algumas perspectivas e tendências do mercado de ações, mercado de câmbio, renda fixa e setor imobiliário.

1 – Renda variável (mercado de ações)

Todos acompanhamos a forte queda da bolsa de valores. Este ano o Índice Bovespa já acumula queda de mais de 38% no ano e tem o pior trimestre da história. O cenário é ainda pior considerando que o dólar valorizou quase o inverso frente ao real, mais de 30%. A perda em dólar de quem tinha investimentos na bolsa este ano foi de mais da metade do patrimônio, em média.

Se a queda foi ruim para quem já estava posicionado em renda variável, para outros ela criou oportunidades em papéis de empresas sólidas sendo cotados a preços extremamente atrativos, muito abaixo de quando o índice Bovespa estava em 120 mil pontos.

A dúvida é: Será que o movimento de queda parou?

Impossível responder, uma vez que não se sabe ainda os desdobramentos do vírus em diversas economias do mundo, especialmente a economia americana, que ainda está no início do ciclo. Da mesma forma que a economia americana mostra-se como uma das mais sólidas e resilientes do mundo, qualquer desaquecimento inicia um efeito dominó nos mercados globais.  As bolsas de valores são as primeiras a responder.

Recomendações

Para os que querem arriscar e aproveitar os preços depreciados dos papéis, a dica dos analistas que entrevistamos é escolher empresas sólidas, com bons resultados históricos de lucro e sempre objetivando ganhos a longo prazo. Pensar em ganhos de curto prazo agora é muito arriscado. Ainda teremos turbulências.

Sugerimos ainda investir aos poucos. Compre um pouco agora e aguarde. Caso o mercado caia novamente, compre mais um pouco e faça o chamado preço-médio. Vá devagar!

Recomendamos ainda não empregar suas reservas de emergência na Bolsa de Valores ou investimentos com alta volatilidade e risco. Em tempos de crise e com futuro incerto é fundamental manter a liquidez e preservar suas reservas de emergências. Invista apenas o excedente.

2 – Investimentos atrelados ao dólar

Apesar do dólar alto, ainda é cedo para prevermos uma queda mais substancial da moeda frente ao Real. Fábio Dantas, sócio da Intercam Corretora de Valores, acredita que, no curto prazo, ainda há espaço para valorização da moeda.

“Mesmo com a ajuda do FED ampliando a oferta da moeda americana o mercado continua com viés de alta em decorrência da pandemia”, informa Fabio. “Há uma resistência muito forte a ser rompida em 5,30 e que está sendo respeitada”, continua.

O Relatório Focus (Bacen) projetou USD para final de 2020 R$ 4,50 e 2021 R$ 4,30.

A alta do dólar não surpreende. Em tempos de crise, a procura pela moeda é alta. Investidores entendem que aplicações atreladas ao dólar é um investimento seguro. Neste primeiro trimestre, a moeda americana teve a terceira maior valorização histórica frente ao real, perdendo apenas para valorizações no terceiro trimestre de 2002 e no primeiro trimestre de 1999.

Recomendação

Nossa recomendação é sempre manter no portfólio investimentos atrelados à moedas fortes, como o dólar. Quem apostou no dólar nos últimos 10 anos viu seu patrimônio mais do que triplicar. A moeda estava cotada a $ 1,70 em 2010 e hoje está R$ 5,19.

É sempre interessante diversificar o portfolio de investimentos com aplicações em dólar. Em momentos de crise, como o que estamos passando, a moeda “tempera” a carteira, minimizando perdas.

3 – Renda fixa

No último dia 18, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir ainda mais a taxa Selic (taxa básica de juros). A redução em 0,5 ponto percentual levou a taxa para 3,75%. O objetivo do Copom é estimular a economia em meio à crise do coronavírus. Para quem possui investimentos em renda fixa, a notícia pode não ser tão boa, já que a taxa Selic impacta diretamente no rendimento dos fundos de renda fixa. Com o corte, alguns fundos passaram a oferecer rendimentos reais projetados (descontada a inflação) negativos. O investidor, neste caso, estaria sofrendo uma deterioração de seu patrimônio ao invés de uma valorização.

Esta situação de rendimentos negativos não é novidade em relação a investimentos de renda fixa. A inflação utilizada como benchmark (referência) pelos fundos de renda fixa é a apresentada pelos indicadores oficiais do governo. Como qualquer indicador, o número pode não refletir a realidade, levando a rendimentos negativos.

A renda fixa oferece, no entanto, uma grande vantagem em relação às demais aplicações. Ela serve de reserva de emergência. Como mencionado no tópico anterior, manter reservas de emergência neste momento é fundamental. A liquidez imediata e baixíssima volatilidade das cotas dos fundos conferem à aplicação segurança em tempos de crise. Em um período onde as incertezas político-econômicos são consideráveis, manter aplicações de emergência em renda fixa é aconselhável, ainda que os rendimentos sejam levemente negativos.

Recomendação

Não altere muito suas posições em renda fixa neste momento. Caso queira aproveitar aplicações em outros tipos de investimentos que tornaram-se atrativos, invista uma parcela que não lhe fará falta nos próximos meses (mínimo de 12 meses).

Nada impede que você já comece a amadurecer e estudar outros investimentos. A crise ainda permancerá por alguns meses e as oportunidades continuarão aparecendo. Faça tudo com muito estudo, análise e sem ansiedade.

4 – Investimento em Imóveis

Investir em imóveis é sempre uma garantia diante de qualquer cenário. Independente do que acontecer com a bolsa, os juros ou a economia, o imóvel é sua propriedade, um bem tangível, que sempre exercerá sua função, seja para moradia ou renda com aluguel.

O investimento passa a ser ainda mais interessante se atrelado a uma moeda forte, como o dólar, por exemplo. Por isso sempre recomendamos a compra de imóveis no exterior, que traz a segurança do investimento imobiliário somada a solidez de uma moeda forte.

Em um cenário de juros baixos, a renda com aluguel torna-se mais atrativa.

Recomendação

Investir em imóveis no exterior que permitam a prática de aluguel por curta temporada (short-term rent). Desta forma, além da valorização do patrimônio, o investidor terá também renda em dólar vitalícia.

Em Miami e Orlando, é possível obter entre 5% a 10% ao ano de retorno com aluguel sobre o valor do imóvel. Trata-se de um retorno significativo considerando um cenário de queda global dos juros. Em alguns lançamentos, as incorporadoras garantem um retorno mínimo no aluguel nos primeiros dois anos, que varia de 6% a 10% ao ano, dependendo do empreendimento.

Abaixo segue uma simulação simples de um imóvel em Miami no valor de USD 400 mil.

Despesa anuais

  • Condomínio (valor total no ano): USD 7.000
  • IPTU anual: USD 7.200
  • Outras despesas (luz, internet, etc): USD 1.300
  • Seguro no ano: USD 700

TOTAL DAS DESPESAS ANUAIS: USD 16.200

Receita anual com aluguel

  • Valor médio da diária do aluguel: USD 150
  • Taxa de ocupação: 68,5% *

RECEITA COM ALUGUEL NO ANO (365 X USD 150 X 68,5%): USD 37.503,00

* Com base em dados históricos de nossa imobiliária

Retorno do aluguel sobre o valor do imóvel

(USD 37.503,00 – USD 16.200,000) / USD 400.000,00 = 5,3% aa

No exemplo acima consideramos um imóvel usado em Miami. Imóveis novos e lançamentos em regiões centrais costumam oferecer retornos consideravelmente maiores. Em Orlando, casas grandes com mais de 3 quartos em condomínios prestigiados superam facilmente os 10% ao ano.

Ainda é possível contratar os serviços de gerenciamento total do aluguel, onde o proprietário não tem qualquer trabalho de captação dos clientes ou gerenciamento do imóvel. Tudo é feito pela empresa que administra, desde a montagem do anúncio (com produção de fotos e textos) até a arrecadação dos valores. Até mesmo a inspeção, limpeza e preparação do imóvel para o próximo cliente é feita pela administradora. O proprietário sequer tem contato com o inquilino e deve apenas designar uma conta bancária para receber os valores do aluguel.

Este tipo de investimento acaba assemelhando-se a uma renda fixa em dólar, com a vantagem de ser um bem real (tangível).

Financie com juros baixos dos EUA e quite as parcelas do empréstimo com a renda do próprio aluguel

Ao brasileiro é permitido financiar por meio de bancos americanos. A grande vantagem são os juros baixos dos EUA (aproximadamente 5% aa). Basta comprovar renda no Brasil e o processo de aprovação é pouco burocrático, demorando aproximadamente 45 – 60 dias. Os prazos são de até 30 anos para pagar.

Com isso, você pode alavancar o investimento usando recursos dos bancos americanos. Com a renda do aluguel por temporada é possível quitar as parcelas do empréstimo e ainda obter lucro na operação.

Clique aqui para fazer uma simulação de empréstimo e ver se você está apto a financiar por meio de bancos americanos

Estamos aqui para lhe ajudar!

Espero que as informações tenham ajudado na tomada de decisão em relação aos investimentos em tempos de crise. A equipe da AMG Realty e os analistas parceiros estão a disposição para prestar outros esclarecimentos sobre projeções econômicas e o mercado imobiliário da Flórida.

Este é um momento difícil, mas passageiro. Reforçamos nossa recomendação de seguirem as recomendações dos órgãos de saúde. Quem puder, fique em casa! Evitem aglomerações e cuidem da saúde.

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